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Ah, Marina!

Ah, Marina!

Muita gente conhece e fala sobre a FLIP (Festa Literária de Paraty), mas nem imagina que a Jornada Literária de Passo Fundo foi criada em 1981, numa iniciativa da professora Tânia Rösing e o escritor Josué Guimarães.

Quando fui convidada pela amiga escritora/advogada/jornalista Mariza Baur para participarmos da 12ª Jornada, em 2007, não entendia a dimensão do evento. Foi uma sucessão de maravilhamentos.

Antes de encontrar presencialmente os autores, os leitores (escolas dos municípios vizinhos) se preparavam com a leitura prévia das obras. Uma dinâmica que deu muito certo e foi replicada desde então.

Vamos democratizar a informação para o mundo, transmitindo os debates ao vivo pela Internet. Isso nos enche de alegria. Não podemos ficar fechados, precisamos aproveitar a tecnologia”, anunciou a professora Tania Rösing, naquele ano. Não havia nem WhatsApp!

Mariza e eu voamos ao lado de José Mindlin e a filha Betty. Num acaso cheio de boa fortuna, ficamos num hotel cheio de escritores, que conhecíamos de nome e de quem nos tornamos amigas.

Entre eles, Zé Roberto Torero e Marcus Aurelius, parceiros em vários títulos, com quem fizemos passeios adoráveis. E destaque para Affonso Romano de Sant’Anna e Marina Colasanti.

Marina com aqueles olhos verdes e aquela boca de risos perfeitos, nos dava os vouchers do almoço, na sala dos autores, e ficávamos nos deliciando com seus comentários francos, sua generosidade nas dicas para duas, então, iniciadas no ramo da literatura. A jornada foi desativada por falta de patrocínios, argh!

Só perdemos o contato depois da pandemia de 2020. Pela manhã, quando soube de sua morte, logo pensei em Mariza, que minutos depois me manda a mensagem: “Memê querida, tudo bem? Você viu? Acaba de morrer a querida e competente Marina Colasanti. Lembra como foi bacana quando a conhecemos na Jornada de Passo Fundo?”. Como não lembrar?

Marina comentou, à época, sobre o número de crianças presentes na jornada: “Nunca vi tanta criança junta na minha vida, e o mais bonito é vê-las aqui para falar de literatura”. Torero complementou: “Não quero ir embora, aqui me leem! Aqui me leem!

Quando uma criança perguntou à Marina de onde vinham as ideias, ela respondeu: “As ideias estão em todo o lugar e você tem que ir até lá e pegá-las. Algumas delas servem para algumas pessoas e não para outras, cada um escolhe as suas. O escritor está sempre com a antena ligada em busca de ideias para contar as suas histórias”.

Sei que Affonso não escreve mais, deve estar abaladíssimo; eles foram companheiros de uma vida dedicada às artes.

Se você quiser saber sobre a obra de Marina Colasanti, dê um Google, são mais de 70 livros em uma carreira bem-sucedida em tudo, vários prêmios importantes no Brasil e no mundo.

Estou triste com a notícia, mas feliz de, ainda, ter as memórias, porque as fotos tiradas por Mariza, estão em algum disquete, perdido em alguma caixa, esquecida em algum armário.

Texto: May Parreira

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